segunda-feira, 12 de agosto de 2013

estranho é falar português corretamente (e como a família serve ao invisível)

 Acerca de um comentário de um 'face- amigo' indignado com  a falta de respeito e dedicação em  falar corretamente a língua portuguesa:" Para eles está bom, o interlocutor entende, para que "sofisticar"."
O  escamoteamento da lingua portuguesa e da cultura não se restringe ao Estado e às políticas do sistema de educação, está associada à uma intenção de alienação política que, em estratégias de controle social é melhor que tropa de choque.

Somos vítimas então? Depende da crença que temos no desenvolvimento da capacidade crítica em ambiente tão adverso e docilmente disfarçado.

É uma questão econômica? O phd em administração- com numerosas páginas de currículo, dono da empresa, abastado economicamente, elegante e invejável- senta à mesa no jantar e assassina a língua portuguesa que, seus filhos, aprendem nas escolas mais renomadas.

É então uma má vontade, um desleixo do indivíduo? A mídia brasileira- poder absoluto do imaginário coletivo- pouco se importa com a divulgação do português incorreto, na verdade, incentiva o 'erro' linguístico com suas irônicas personagens burras-presentes no 'núcleo pobre' de novelas e ou nos programas de humor, tais como Zorra Total, A Praça é Nossa, etc.

Então no Brasil, falar corretamente não é importante! 

Independente de classe social, econômica, raça, crença, nível e ou qualidade de estudo.

Torna-se então uma questão de família?

A família é certamente a unidade mais PETULANTE do corpo social: 'núcleozinho' em que a cultura do certo e do errado serve narcisicamente aos seus integrantes

A família divide o coletivo em minúsculos grupos prepotentes, com sistema maniqueísta próprio, acima da justiça social.

A família serve para justificar o enigma de diversos sintomas sociais de difícil diagnóstico, é o dócil recurso que impede o pensamento crítico e revolucionário .

A família é o que importa e, todo o 'resto' que se dane!

A FAMÍLIA É UMA DAS MAIS EFICIENTES UNIDADES ANTI- REVOLUCIONÁRIAS DA SOCIEDADE! DIVIDE O COLETIVO ENTRE 'OS MEUS E OS SEUS'.


E, realmente, na família poderíamos encontrar uma resposta ao desleixo com a língua, assim como podemos encontrar respostas à toda questão da amplitude dos valores, comportamentos e status  dos indivíduos; neste aspecto à família  pode -se delegar  a responsabilidade   do comportamento do indivíduo e logo, temos os núcleos familiares como produtores do comportamento coletivo, assim como  ' a causa de ', a família  invisibiliza todas as outras forças que atuam sobre nós.

Portanto falar errado no Brasil é cultura nacional, é ordinário e pouco importa à maioria.
Estranho é quando o sujeito ao invés de dizer " eu não ia dar isso, mas vou dar", diz : "eu não ia dá-lo, mas darei".
NO BRASIL O PORTUGUÊS CORRETAMENTE FALADO CAUSA ESTRANHAMENTO!
Vê se pode...